Taaaanto mar…

Hoje eu fui buscar meu certificado de jovo aprovado no terceiro ano. Devo dizer que só não teve menos emoção por que eu já sabia que tinha passado de ano desde o boletim do terceiro bimestre, mas foi uma cena realmente bonita o desleixo de todos com meu resultado.

Primeiro, a coordenadora da escola. “Guilherme, você quer seu resultado?” “err… pode ser” “Aprovado. Próximo”

Contente, liguei para minha mãe. “Mãe, estou aprovado” “Ok, olha, arruma algum lugar pra almoçar que hoje não tem comida. Xau”

Fui contar aos meus migos “Rapeize, estou aprovado!” “A fulana não! Quem é que tinha apostado que ela ia passar mesmo? Tá me devendo cinco paus”

Sad but true. Ninguém realmente se importa com o fato de eu ter passado. Mas algo me diz que ninguém ficava surpreso quando o Bill Gates passava também, então creio estar bem acompanhado neste barco de solitudine.

A questão presente aqui é: repetir no terceiro ano é um resultado tão ridículo que o que mais me impressiona é a pessoa ter conseguido chegar ao terceiro ano sem esquecer como se respira, ou se afogar com um copo d’água. Eu posso dizer isso com plena convicção, uma vez que se alguém repetiu o terceiro ano, com certeza ela não está lendo este blog. Não conseguiria digitar nerdcalculista na barra de pesquisa.

Tudo no terceiro ano é manipulado para que até o aluno mais analfaburro passe. Pra vocês terem ideia, no terceiro bimestre, meu professor de português fez uma prova valendo 23 pontos. Sim, enquanto qualquer pessoa normal faz provas de 0 a 10, meu professor obteve a façanha de bolar uma prova com vinte e três pontos. Isso não foi o suficiente para impedir que a ignorância alheia obtesse notas vexaminosas como 6,5 ou 7.

15 pontos da prova eram só múltipla escolha, manos. Bastava marcar a mesma letra em todas que você já garantia uns 5.

Se nem com uma prova de 23 pontos a pessoa consegue levantar a média, é mais do que bem feito que ela não passe de ano. O vestibular não terá 13 pontos de brinde.

Ah, o vestibular.

Fico falando com tanta veemência sobre a burrice alheia, mas fui uma decepção no quesito vestibular.

Manos, xo explicar pra que eu quero passar e pra que eu passei.

A princípio, eu queria jornalismo. O problema de jornalismo é: muita gente quer jornalismo. Não tem mercado de trabalho pra toda essa gente. O pouco mercado que tem, não dá dinheiro. E o pouco dinheiro que dá, tá concentrado na mão de menos gente ainda. Essa gente não consegue esse dinheiro por mérito, mas por amizades.

Em suma, ou você é um morto de fome, ou você é padrinho de algum alto escalão da globo.

Até então ninguém da Globo veio passar o natal comigo, então creio que eu seria um morto de fome.

Mudei minha escolha para Publicidade, que é a galinha dos ovos de ouro da Comunicação Social. Quando contei do meu dilema de jornalismo a um dos meus professores (tive muitos esse ano), ele contou a história de um amigo Publicitário que ficou rico em menos de 10 anos, e ainda afirmou com plena convicção que Publicidade é um dos cursos que mais dá emprego e dinheiro ultimamente.

Só que também é concorrido pra cacete, e só tem na UFF e na UFRJ.

A UFF fica praticamente em outro país. País não, continente. Manos, é preciso pegar dois ônibus e uma BARCA pra chegar na UFF. E eu não estou exagerando. Em caso de eu querer fazer a UFF, seria necessário eu passar quatro horas por dia dentro de um ônibus/barca. Isso tudo se não tivesse congestionamento – o que nós sabemos que não vai acontecer.

A única opção que faria sentido é optar por Publicidade na UFRJ, certo?

Marromenos.

Imagino que todos já tenham feito alguma prova do ENEM. Essa porra é mais um golpe no escuro do que uma prova de aptidões intelectuais. A porra da prova mostra um cone e pergunta: isto é um cone ou um cilindro?

Aparentemente, é uma pergunta óbvia e besta. Mas tente fazê-la depois de responder 175 questões.

Nada fica óbvio e besta depois de 175 questõs, manos. Nada.

Ter de depender único e exclusivamente do ENEM pra passar em uma faculdade é a pior coisa que o Estado poderia fazer com os estudantes, mas esta porra de país só está interessado em políticas “inclusivas”. Colocar um monte de gente ignorante na faculdade é muito mais interessante para eles do que instaurar um sistema de ensino público decente.

O que salva os demais vestibulandos são as faculdades que não aderiram ao ENEM. No Rio de Janeiro, somente a UFF e a UERJ (públicas) não aderiram. Mas como já expliquei, nenhuma dessas me serve.

E foi assim que o Estado me fodeu. Como eu tenho só 17 anos, isso é considerado pedofilia, uma vez que o Estado é uma entidade de 189 anos. Mas se eu pô-lo na justiça, é capaz de eu acabar perdendo.

A lógica não faz sentido no Brasil.

Minha escapatória foi ter um plano B: fazer faculdade de História.

História? Tipo… aquela do passado?

Qualquer um que faça História é subjulgado como burro que não consegue passar para mais nada e decidiu virar professor de história por que é mais fácil. No fundo, no fundo, você também pensa assim.

Por isso esse era meu plano B. Qualquer faculdade tem um curso de história e em nenhuma ele é lá muito concorrido justamente por causa desse preconceito.

Mas não quero nem pretendo virar um professor de história. Só faria essa faculdade pra preencher o currículo e minha vó ter o que falar para esnobar as vizinhas dela. Na realidade, estaria completamente focado em um curso pré-vestibular integral pra conseguir passar pra Publicidade ano que vem.

Já me inscrevi pro Pré-vestibular, inclusive. Aproveitem enquanto o blog ainda existe, pois não será por mais muito tempo.

OBS.: As imagens são Powered By Uma tarde sem ter o que fazer no 9gag

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